sábado, 3 de novembro de 2012

Deixe Sangrar




Deixe sangrar, deixe todas as feridas expostas!
Quem sabe a poeira das emoções cubra os buracos
Ou talvez algum passante se apiede de você
E te de todos os cuidados que a vida te negou.

Deixe expostas as mágoas
Quem sabe não encontre outras vitimas
De vilões cruéis e vorazes
Como esse que te maltratou tanto

De espaço as suas dores
Para que elas cresçam
E depois se vitimize
Com os olhos voltados para o chão.

Faça todo drama que aprendeu nas aulas
Do teatro cômico da vida
Talvez desperte a minha piedade
Ou converta algum outro vilão.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Heroína

A droga das dores

Já se habituaram ao meu corpo

Depois de tantos anos

Vago pela cidade vendo o sol nascer


Os olhos repletos de lágrimas

De todos os choros contidos

De todos os amores mal paridos

Do já não haver paciência de recomeçar


O sorriso que a todos encanta

Se esconde quando me vejo no espelho

Pros outros o melhor de mim

Para mim sempre o pior de tudo


E eu, poeta em eterna crise

Por sentir a vida com lente de aumento

Estou cansada das minhas overdoses

Cansada de todos os meus cansaços


Vivendo de repetir na frente do espelho

Que sou forte e vou agüentar tudo

Agora quero desmoronar um pouco

Mesmo que só até encontrar o próximo rosto conhecido


E fingir o sorriso cheio de dentes

Amarelo por todas as dores tragadas

Agora, o que quero repetir para mim é:

Aprende querida, heroína é droga!



quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ode ao Malandro


Quem anda em bando é passarinho

Malandro que é bom anda sozinho

Tem seu bando aonde chegar

Porque sua casa é qualquer lugar


Se espalha e não tem quem o junte

Porque é sempre livre e bem amado

Hora está aqui, hora está lá

Finca raízes por onde pisar


Brinca de ser sem rumo

Por ser dono de todos os caminhos

Desliza pela vida seguindo em frente

Em linha reta bambeia pelos lados


Não tem como prende-lo

Pois sua liberdade vem de dentro

Não tem como lhe fazer mal

Pois até o mal o ama.


Renda-se a sua beleza

Com respeito...

Saiba admirar o que é belo

E sempre será livre!


Anna Araujo – 6/11/2011

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Estatuto da Liberdade



Toda vez que te apresentarem um risco
Fique amigo dele...
Quando te jogarem em uma arena
Seduza os leões...

Dance sobre o corte da navalha da vida
Brinque de perdido e se ache
Busque as conquistas dos seus tesouros
Ande a esmo, até encontrar a sua saída

Corte suas raízes
Desenvolva suas pernas
Aprenda o jogo do sebo nas canelas
Quando a vida sufocar a arte

Se espalhe pelos caminhos
Deixe pegadas nos peitos alheios
Deixe lembranças e cheiros
Fuja antes de esquecer o gosto da poeira

Pé na estrada e coração no vento
Um céu sobre nossas cabeças
Um chão para lembrar que existe limite
E os precipícios para lembrar como é bom desafiá-los.

Anna Araujo – 06/09/2011