quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Chuva nos Olhos


Por carência de ombros amigos
Uso os olhos alheios nas poesias
Reconstruindo com palavras
O chão que às vezes é tirado de meus pés

Com gotas de chuva de meus olhos
Misturo a tinta que uso em meu nanquim
Descrevendo tempestades e tornados
Com palavras cifradas em anagramas

A ausência tem estado presente há tempos
Sentada na cadeira principal da sala de estar
Me sorrindo como se fosse a convidada mais desejada
Como se houvesse um deboche maior que eu aqui, só...

O dia amanhece e meus olhos continuam sobre o papel
Tentando encontrar palavras que me limpem
Que consigam, como que por milagre, me despir dessa dor.
Que tem teimado em disputar o espaço que era seu.

Anna Araujo - 27/07/2012